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CIJ e EPM promovem evento sobre privacidade de crianças e adolescentes na era digital

Especialistas analisaram legislação de proteção de dados.           A Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de São Paulo, em parceria com a Escola Paulista da Magistratura (EPM), promoveu ontem (22) o seminário Privacidade e proteção de dados de crianças e adolescentes na era digital, ministrado pelos advogados Renato Opice Blum, Juliana Abrusio Florêncio e Alessandra Borelli. O evento aconteceu no Gade 23 de Maio, com 820 inscritos nas modalidades presencial e a distância. A mesa de trabalhos teve a participação dos desembargadores Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, vice-coordenador da CIJ, e Antonio Carlos Malheiros, integrante consultor da CIJ.         O advogado Renato Opice Blum, que também é economista e conselheiro titular do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, iniciou as exposições com o tema “Contextualização sobre os impactos da Lei Geral de Proteção de Dados na vida das pessoas”. Ele recordou o histórico de criação da legislação sobre o tema na União Europeia, que culminou com o Regulamento Europeu sobre a Proteção de Dados (GDPR), em vigor desde maio de 2018, e no Brasil, como o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – Lei 13.709/18. Salientou que a LGPD é mais abrangente em alguns tópicos, como o alcance, que não fica restrito às pessoas jurídicas, mas pode abranger pessoas físicas que coletam e tratam dados com fins econômicos.         Na sequência, Juliana Florêncio, doutora em Filosofia do Direito pela PUC-SP, discorreu sobre o tema “Privacidade e segurança on-line e profilling de crianças e adolescentes”. Ela chamou a atenção para a “datificação” da vida e disse que as pessoas estão gerando dados ao utilizarem senhas, por exemplo, permitindo o tratamento automatizado desses dados ou profilling. “Isso possibilita uma inferência ou previsão sobre a atuação das pessoas, que pode ser perversa e pode levar em conta dados equivocados, ferindo direitos fundamentais e ocasionando injustiças e discriminação, o que é ainda mais grave quando ocorre com crianças e adolescentes, que também geram dados constantemente”, ressaltou.         Por fim, a especialista em Direito Digital e diretora executiva da Nethics Educação Digital, Alessandra Borelli, analisou o tema “Lei de proteção de dados: um marco regulatório na proteção à privacidade dos mais vulneráveis”. Ela lembrou que as crianças e adolescentes são seres em condição peculiar e devem ser prioridade absoluta, asseverando que a LGPD representa um marco nesse sentido. Lembrou a necessidade de conformidade das empresas e das instituições às diretrizes da LGPD, mas ponderou que não basta mudar políticas, leis, normas se não houver uma mudança de cultura: “Quando falamos em proteção da privacidade de crianças e de adolescentes, nos reportamos aos deveres dos adultos em relação a eles e não podemos ser omissos e deixar de dizer aos nossos jovens o quanto é importante a proteção da privacidade e da intimidade e que eles não podem renunciar a esses direitos, que são fundamentais”.     Ao final da exposição, os especialistas esclareceram dúvidas dos participantes e receberam o certificado de participação da CIJ. O evento também contou com a participação do juiz assessor da Corregedoria, Iberê de Castro Dias e do juiz integrante da CIJ Paulo Roberto Fadigas Cesar.                    imprensatj@tjsp.jus.br
23/08/2019 (00:00)
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